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Sismicidade Brasileira

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Por que os sismos acontecem? Esta é uma pergunta feita muito freqüentemente. A parte mais externa da Terra, a litosfera, de aproximadamente 100 km de espessura, é rígida e dividida em diversas partes ou placas tectônicas, as quais movimentam umas em relação às outras. Nas zonas de contato entre essas placas ocorrem os maiores e mais freqüentes terremotos. A causa desse movimento é a existência de forças geológicas no interior da Terra, cuja origem não é ainda bem conhecida e determinada (Assumpção, 1983).

Entretanto, sabe-se que o estado das tensões na litosfera pode ser devido a uma variedade de forças: de origem local, causadas por heterogeneidades estruturais, carregamento e descarregamento da crosta e anomalias térmicas na astenosfera; e de origem regional, relacionadas com a movimentação de placas tectônicas, tais como empurrão da dorsal oceânica, devido à sua maior elevação (comprimindo o interior da placa), força de empuxos, por exemplo, exercida pela Placa de Nazca, que mergulha por baixo da Placa Sul-Americana e forças de carregamento viscoso devido às correntes de convecção que podem estar carregando a Placa Sul-americana (Mendiguren & Richter, 1978; Assumpção & Suarez, 1988).

O Brasil, por estar situado no interior da placa tectônica da América do Sul, uma região continental estável, apresenta uma sismicidade bem inferior àquela observada nas bordas de placas, como é o caso da zona de contato entre as placas de Nazca e a Placa Sul-americana, onde os sismos são mais freqüentes e de maiores magnitudes. Além disso, a sismicidade observada no Brasil é menor do que em outras regiões intraplacas semelhantes, como são os casos do leste da América do Norte, Índia, África e Austrália, onde já foram observados grandes terremotos, como, por exemplo, os de Nova Madri (EUA), em 1811 e 1812, com magnitudes 8,2 e 8,0, respectivamente (Johnston, 1989).


Mapa da sismicidade natural brasileira


Os dados apresentados no mapa são provenientes do Banco de Dados do SIS/UnB (SISBRA), o qual foi formado a partir da compilação de Berrocal et al. (1984), que contém os registros históricos e instrumentais dos sismos com epicentro no Brasil e regiões vizinhas, desde a colonização até o ano de 1981. A partir de então, ele vem sendo atualizado com os dados do Boletim Sísmico Brasileiro, publicado até 1995 na Revista Brasileira de Geofísica e mantido banco de dados conjunto com a UFRN e USP.

O primeiro sismo do catálogo de Berrocal et al. (1984) data da época da colonização, de 1560, na Capitania de São Vicente. Entretanto, trata-se de um registro ao qual dever-se dar pouco crédito. Os registros históricos mais confiáveis do catálogo aparecem apenas no início do século XVIII, quando as descrições macrossísmicas são mais confiáveis.

Os dados instrumentais foram compilados de duas fontes: a primeira de boletins sísmicos internacionais da Rede Mundial de Sismógrafos, que, segundo Berrocal et al., (1984), inclui sismos maiores que 5,5, desde 1919 e sismos com magnitudes 4,5, desde 1965. A segunda, oriunda dos dados de estações sismográficas brasileiras, que a partir de 1967, com a instalação do Arranjo Sismográfico da América do Sul (SAAS), em Brasília, passou a detectar sismos pequenos, de magnitude da ordem de 3,5 ou menores, dependendo da região epicentral.

No catálogo sísmico foi utilizada a magnitude de onda de corpo (P) telessísmica, a qual foi adaptada para o Brasil por Assumpção (1983), de modo a contemplar aquelas magnitudes não detectadas a distâncias telessísmicas, i. é, magnitudes inferiores a 4,5 mb (Assumpção, 1998). Essa escala recebeu a denominação de Escala de Magnitude Regional (mR), válida para sismos com epicentro no Brasil, cuja distância epicentral situa-se entre 200 km e 1.500 km. Também foi utilizada a escala de magnitudes de duração (de expressão genérica mD = A log(D) + B log(R) + C), onde os valores dos coeficientes A, B e C dependem da região, D é a duração (em segundos) do registro no sismograma e R é a distância epicentral.

Caracterização da sismicidade natural brasileira

Observando-se o mapa acima, nota-se a ausência de sismicidade em algumas áreas, especialmente nas regiões norte e centro-oeste, que não está necessariamente relacionada com a ausência de sismos, podendo depender inclusive do processo de ocupação territorial brasileira e da tardia instalação de estações sismográficas. O meio e o sul da Bacia do Paraná parece ser a parte mais assísmica, enquanto que em suas bordas a sismicidade já é mais expressiva, tanto natural quanto induzida por reservatório, com vários casos comprovados.

O conhecimento da sismicidade é obtido através de três tipos de registros: geológico, histórico e instrumental (Reiter, 1991), sendo os dois últimos de maior importância, pois o registro geológico é feito apenas quando ocorrem grandes terremotos, que deixam marcas na superfície do terreno e esse no Brasil a correlação nem sempre é observado.

O registro histórico é feito através de depoimentos documentados em jornais, revistas e livros, de pessoas que sentiram o sismo. Este registro no Brasil, além de muito recente, está intrinsecamente relacionado ao processo de ocupação territorial brasileiro, que, como se sabe, foi feito de forma muito irregular, com as regiões norte e centro oeste ocupadas muito tardiamente em relação ao resto do país.

O registro instrumental, o mais recente no Brasil, está intimamente ligado ao monitoramento sismográfico de áreas de grandes reservatórios hidrelétricos, cujas construções se deram, especialmente, no final da década de 70 e a partir do início da década de 80. Atualmente no Brasil, há três instituições que contribuem diretamente com o mapa de sismicidade do Brasil e que ainda há cinco estações da rede mundial no território brasileiro, assegurando um mapa confiável da sismicidade brasileira (França, 2006)

Referências

Assumpção,M.S. 1983. Terremotos No Brasil. Ciência Hoje- SBPC(1983), 1(6):13 - 20. Risco Sismico, Sismos do Brasil

Assumpção,M.S.; Suarez,G. 1988. Source Mechanism of Moderate Size Earthquakes and Stress Orientation in Mid-Plate South America. Geophysical Journal,92: 253 - 267.

Assumpção, M. . Seismicity and stresses in the Brazilian passive margin.. Bulletin of the Seismological Society of America, Estados Unidos, v. 88, n. 1, p. 160-169, 1998.

Berrocal,J.; Assumpção,M.S.; Antezana,R.; Dias Neto,C.M.; Ortega,R.; Franca,H.; Veloso,J.A.V. 1984. Sismicidade do Brasil. Instituto Astronómico e Geofísico, São Paulo, Brasil, 320 p

França, G. S. . Brazil Seismicity. Bulletin of the International Institute of Seismology and Earthquake Engineering, Japão, v. 40, p. 23-36, 2006.

Johnston, A. C. (1989) The Seismicity of "Stable Continental Interiors". Proceedings of the NATO Advanced Research Workshop on Causes and Effects of Earthquakes at Passive Margins and in Areas of Postglacial Rebound on both Sides of the North Atlantic, Vordingborg, Denmark, (9–13) May 1988,pp. (299–327).

Mendiguren,J.A.; Richter,F.M. 1978. On the origin of compressional intraplate stress in South America. Revista Brasileira de Geociências(1978), 8(2): 90-103.

Reiter, L. 1991. Earthquake Hazard Analysis ,Columbia Univ. Press, New York

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